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A importância do tom de voz na comunicação com clientes

No WhatsApp, o tom é tudo o que o cliente tem pra te julgar antes do atendimento começar. E quase ninguém presta atenção nele.

A importância do tom de voz na comunicação com clientes

Tem uma coisa na comunicação com o cliente que pesa mais do que parece. E quase ninguém presta atenção nela.

É o jeito como você escreve.

Por que o jeito de escrever pesa tanto

Num atendimento presencial, o cliente lê muita coisa antes de você abrir a boca. Postura, expressão, ritmo, entonação. Tudo isso entra na conta antes mesmo do conteúdo do que você diz.

Mehrabian estudou conversa, com voz e gesto. O paralelo com o texto é meu, não dele. Mas o princípio se transporta: quando o canal é só escrito, como no WhatsApp, todo o peso que antes estava na voz e no corpo recai sobre a forma como você escreve. Pontuação, tamanho das frases, escolha de palavras — tudo comunica alguma coisa antes mesmo do cliente processar o conteúdo da mensagem.

O problema é que a maioria das pessoas oscila sem perceber. Responde um cliente de forma super informal, outro de forma mais séria, muda o tom dependendo do humor do dia. O cliente do outro lado não sabe disso. Ele só sabe o que sentiu.

1. O tom certo depende de quem você atende

O tom certo é o que funciona pra quem você atende.

Pensa num cabeleireiro que atende principalmente adolescentes. Agora pensa num que atende executivos de meia-idade. Você já imaginou dois estilos completamente diferentes, e estava certo nos dois casos.

Quando o cliente escreve de forma descontraída e recebe de volta um texto formal e engessado, ocorre um descompasso que ele provavelmente não vai nomear, mas vai sentir. A sensação é de que a pessoa do outro lado não está realmente presente na conversa.

Antes de definir seu tom, olhe pras pessoas que você atende. Como elas escrevem? O que esperam de uma conversa com um profissional da sua área?

2. Leia o cliente antes de responder

Isso parece óbvio quando você lê, mas na prática quase ninguém faz. A maioria das pessoas responde no piloto automático, sempre do mesmo jeito, independentemente de quem está do outro lado.

Antes de responder a qualquer mensagem nova, vale trinta segundos de atenção ao jeito como o cliente escreveu, não só ao que ele pediu. Ele usou um emoji? Fez uma pergunta longa e detalhada? Escreveu três palavras e mandou? Isso tudo diz o que ele espera de volta, e responder no mesmo registro já muda bastante a percepção que ele vai ter da conversa.

Não precisa imitar palavra por palavra. Só não ignora o sinal.

3. Cuidado com os extremos

Informal demais afasta. Tem um nível de descontração que funciona bem em amizades, mas que num contexto profissional passa a impressão de pouco cuidado. Gíria demais, mensagem com erro de digitação óbvio que você não corrigiu, resposta em tom de brincadeira pra uma pergunta séria do cliente — essas coisas minam a confiança, mesmo que o seu trabalho seja excelente.

Formal demais também afasta, só que de outro jeito. Texto robótico, sem personalidade, que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa pra qualquer cliente, transmite uma frieza desconfortável. O cliente sente que está falando com uma empresa, não com uma pessoa. E numa relação de serviço como a sua, em que há contato físico, confiança pessoal, às vezes conversas íntimas durante o atendimento, isso não combina.

4. Consistência vale mais do que perfeição

Mais importante do que escrever bem é escrever igual.

O cliente que te conhece já criou uma expectativa sobre como você se comunica, e quando isso muda sem motivo aparente, alguma coisa estranha fica no ar mesmo que ele não consiga nomear.

Inconsistência confunde mais do que o erro. Erro todo mundo entende. Inconsistência faz o cliente questionar se conhece mesmo a pessoa com quem está falando.

Pense assim: você tem um jeito de ser e esse jeito vai aparecer no atendimento presencial de qualquer forma. A comunicação escrita só precisa ser uma versão disso.

5. Mensagens automáticas também têm tom

Esse é o ponto que mais gente ignora.

Você pode ter uma comunicação pessoal ótima com o cliente e depois mandar uma confirmação de agendamento que soa como aviso de banco. Confirmação de horário, lembrete, mensagem de cancelamento — essas comunicações chegam em momentos em que você não está presente pra compensar com o calor do atendimento. O peso delas é maior do que parece.

O AgendaHub permite personalizar essas mensagens com o tom que você escolhe, então o que o cliente recebe antes e depois do atendimento continua soando como você. Confirmação, lembrete, mensagem de remarcação — tudo sai com a sua voz, não com a voz genérica de um sistema.

A forma como você fala é parte do seu serviço

No final das contas, todo mundo que trabalha por conta própria fica obcecado com a técnica, o portfólio, o preço. E faz sentido, é o que vende na primeira vez.

Mas é a comunicação que faz a pessoa remarcar sem nem pensar, indicar sem ser perguntada, e mandar mensagem perguntando se você tem horário antes mesmo de você divulgar que abriu agenda.

Tem menos a ver com sorte do que com o jeito como você fala com as pessoas.

Referências

  • Albert Mehrabian

    Albert Mehrabian (n. 1939)

    Psicólogo iraniano-americano, professor emérito da UCLA. Em estudos de 1967 com Morton Wiener e Susan Ferris, e no livro Silent Messages (1971), propôs a fórmula 7-38-55 sobre o peso relativo de palavras, tom de voz e linguagem corporal — referência básica em comunicação interpessoal até hoje, mesmo tendo sido muito simplificada ao longo das décadas.

Fim

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